Porto city

O bairro e a sua area envolvente

Por ordem de D. João I de 1386, todos os judeus do Porto foram concentrados numa zona dentro da cerca de muralhas, no monte do Olival. A Judiaria do Olival constituiu um autêntico gueto e funcionou durante 111 anos. Estava circunscrita por uma cerca, aberta por duas portas: uma para o Largo da Porta do Olival, outra para as Escadas da Esnoga (hoje da Vitória) e para caminho de Belmonte.

 

Escada da Esnoga

 

Ocupando um antigo olival, foi urbanizada em torno de um eixo principal, hoje composto pelas Ruas de São Bento da Vitória e de São Miguel, cruzado por travessas perpendiculares. No centro ficava a sinagoga. Depois da sua expulsão de Castela, aqui foram acolhidas e assimiladas trinta famílias, que haveriam de sofrer novo revés pelo édito de dezembro de 1496, que as obrigava à conversão ou expulsão. Extinta a Judiaria do Olival, as casas dos judeus renitentes à conversão foram entregues a cristãos-velhos. Nas que permaneceram ocupadas pelos agora cristãos-novos, foram gravadas marcas – muitas cruciformes – nas ombreiras das portas, lintéis e embasamentos das construções, símbolos cristãos que substituíram o mezuzah. Sobre parte da antiga judiaria foi construído o monumental Mosteiro de São Bento da Vitória, enquanto a sinagoga seria transformada na Igreja de Nossa Senhora da Vitória.

 

Judiaria do Porto

 

Hoje em dia é uma zona super típica da cidade de vielas estreitas e sombrias, com os seus estendais de roupa a secar, sotaque do norte bem carregado onde as pessoas se cumprimentam e param para conversar umas com as outras. Os antigos edifícios remetem para o epíteto de cidade do trabalho, exibindo-se as casas nos pisos de cima e as lojas e ou oficinas por baixo. Não esquecer as varandas, muitas varandas, que ostentam belas obras em ferro forjado onde ainda se penduram a roupa a secar ao sol. Outra parte da sua vida passa-se em redor de cozinhas: esta é uma rua de cafés e restaurantes singulares.

 

Varandas do Porto